Visitar Praga > Artigos > Três Dias - O que Fazer em Praga - dia 1

 


Este artigo não é mais que uma abordagem experimental. Há factores que tornam impossível um planeamento efectivo. As horas de chegada e partida dos visitantes, o clima, os interesses individuais, o comprimento dos dias, a condição física. Assim, procurei preparar um programa nas condições perfeitas, assumindo que a sua viagem a Praga terá cinco dias completos, que o seu alojamento é central, que usufruirá de condições climatéricas aceitáveis, que tem os mesmos interesses que eu e está numa forma física superior à média.
Vamos a isto?

 

Dia 1 em Praga

Há que aproveitar ao máximo. É preciso acordar cedo, não só para esticar o dia, como para o iniciar no ponto mais turístico da cidade quando toda a gente dorme ainda. Vamos atravessar a ponte Karlovo aos primeiros raios do Sol (esperando que exista mesmo Sol), quando a temos quase só para nós. Se for Inverno, pode até ser a única alma no tabuleiro da ponte. Um contraste brutal com o cenário que ali se vive quotidianamente durante o dia, quando o afluxo contínuo de turistas enche aquela calçada, milimetro por milimetro. Se iniciou o passeio na margem Oeste, então pode voltar para trás, umas vez que nos queremos dirigir ao Castelo de Praga. De resto, toda a caminhada até lá é um deleite. Seguindo a via natural de quem vem da ponte, desembocaremos na praça Malonstranské. Daqui sai a rua Nerudova, onde viveram Franz Kafka e Jan Neruda (um autor bem menos conhecido que o chileno Pablo Neruda, que inspirou o seu nome artistíco no escritor e jornalista checo). Não deixe de observar a notável simbologia acima de algumas das portas das casas desta rua: noutros tempos, antes da utilização metódica da numeração dos edíficios, a denominação dos lares era apoiada por uma representação plástica. Assim, quando chegar ao prédio que ostenta o símbolo de três violinos, saberá que no passado qualquer correspondência para as famílias que aqui moravam deveria ser endereçada à "Casa dos Três Violinos". Muitas vezes a escolha do símbolo tinha uma razão práctica. No exemplo que apontámos, a casa albergava originalmente uma família que se dedicava à manufactura de belissimos violinos. A utilização de simbologia para identificação das casas era uma práctica comum, mas hoje é na rua Nerudova que se pode observar a maior concentração destes elementos visuais.

Sensivelmente a meio da rua, deverá fazer um desvio e enfrentar uma longa escadaria. Se imaginasse que não iria seguir os conselhos e tomar esta caminho cedinho pela manhã, dar-lhe-ia um acesso alternativo, afastado da multidão de turistas. Mas a esta hora esta via é tão boa como qualquer outra. Tomando depois uma direita e seguindo as indicações, chegará ao castelo. Toda a informação sobre o local poderá ser consultada no website oficial. Demore o tempo que precisar. Explore, visite. Não se esqueça de passar pelos jardins exteriores, se for a época do ano certa. Quando terminar, em vez de descer de novo à baixa, como a maioria dos turistas. Aventure-se pelas "traseiras" do castelo. Dê uma vista de olhos na igreja do Loreto. E depois, passe junto ao mosteiro de Strahov. Se houver condições, sugiro uma paragem para uma bebida na esplanada panorâmica no patamar imediatamente a seguir ao do mosteiro. As vistas sobre a cidade são magníficas, e se as contas não me falham, por esta altura o corpo pede uma pausa.

Quando se sentir revigorado, aventure-se pela colina Petrin. Um dos acessos inicia-se mesmo ai junto às esplanadas. É um mundo para explorar, cujos detalhes não me atrevo a explanar num artigo genérico como este. Sugiro que encontre por si o que Petrin tem para oferecer. Se não lhe apetecer ir ao topo, também lhe digo que não perde nada de especial. As pessoas procuram instintivamente lá chegar, mas aqui entre nós, ficará tão bem ou melhor servido se andar pela meia-encosta. É ai, junto à paragem intermédio do funicular, que encontrará o restaurante Nebozizek, onde poderá tomar o almoço se forem horas disso. Como entenderá, dada a localização e a atmosfera do estabelecimento, os preços practicados não são do mais económico. Mas não se assuste! Estamos a falar de pratos entre os 8 e os 14 Euros. E veja no website do restaurante como vale a pena...

Passada a linha do funicular, e, quiçá, depois do almoço, continuaremos a andar na mesma direcção, até cruzar a Muralha da Fome. A partir desse momento estaremos nos jardins Kinsky. A beleza deste parque é notável. Encontraremos vegetação mais densa do que até então, e talvez por isso o ruido natural da cidade chegue até nós filtrado. Tão perto, e tão longe. Mas é também a frondosa vegetação que nos impede de usufruir das vistas que apenas ficam expostas quando o Inverno chega e as árvores ficam desnudas. Não importa. Prossigamos. É capaz de encontrar uma estranha igreja construida em madeira. O edíficio foi originalmente construido nos Cárpatos, em terras que antes eram da Ucrânia. Foi desmontando, pedaço por pedaço, transportado até Praga e montado de novo. Tudo se passou em 1891, por ocasião da Exposição Universal de Praga.

Mais abaixo, se for descendo - o que é capaz de ser uma boa ideia - encontrará o Museu de Etnografia. Siga o seu instinto e chegará com facilidade à saída. Se tudo correr bem estará na praça Kinsky, onde outrora se encontrava o famoso "tanque cor-de-rosa": Na madrugada de 28 de Abril de 1991, uma estranha movimentação podia ser observada pelo noctívago casual que ali passasse. David Cerny, o polémico artista plástico checo, então um jovem de 23 anos, pintava de cor-de-rosa um tanque soviético exposto no local desde 1945, em homenagem à libertação de Praga do jugo alemão. Após o ataque artístico de Cerny e dos seus amigos, as autoridades devolveram a cor original ao IS-2 - na realidade um tipo de tanque historicamente incorrecto, pois o modelo que entrou em Praga no dia da libertação foi o T-34 - mas a história não se ficou por aqui: um grupo de quinze deputados parlamentares, gozando de imunidade, voltaram ao local e repintaram a pobre máquina de cor-de-rosa, em protesto contra a detenção de David Cerny. Foi o suficiente para que o tanque fosse definitivamente removido. Hoje em dia encontra-se exposto no Museu Militar Técnico de Lesany, e na praça Kinsky foi construida uma fonte no local onde antes se encontrava o monumento. Já em 2008, Cerny voltou ao ataque, transportando para as imediações uma réplica cor-de-rosa de uma parte traseira de um tanque soviético, de forma ilegal, tentando encorajar a reflexão política sobre os novos sinais de expansionismo rua sso.

Agora deverá iniciar o caminho de regresso ao centro, se tal for conveniente. Siga pela esquerda, pela rua Ujezd. Estará na periferia de Smichov, um agradável bairro de Praga, bem localizado, repleto de interessantes edíficios habitacionais, muito comércio tradicional e um grande centro comercial. Vá reparando nas fachadas e observe os detalhes. Mais à frente, a cerca de 400 m, do seu lado esquerdo, não poderá deixar de notar uma estranha escultura. Trata-se de uma homenagem às vítimas do Comunismo. Aí chegado, vire à direita, pela Vítězná. Não tardando estará a chegar ao rio, e à ponte Legíi. Inicie a sua travessia. A meio, desca as escadas e explore a pequena mas bonita ilha. No seu extremo norte terá uma das melhores vistas de Praga, não como do castelo, de cima, mas antes numa perspectiva visualmente rica da Praga clássica, com o Teatro Nacional mesmo ali, e a ponte Karlovo um pouco mais à frente, e todos os ricos edíficios que se extendem por ambas as margens do rio Vltava. Talvez seja chegada a altura de relaxar no Vltava, alugando um pequeno barco a remos ou a pedais. Está agora no sítio certo. A sua base é muito perto dessa ponte, do lado direito, se tiver seguido o itinerário sugerido. Se não os vir, é porque está em Praga na época do ano errada.

De qualquer forma, a partir daqui suba a avenida Narodni, a continuação natural da ponte Legii. Logo na esquina verá um dos cafés clássicos de Praga, o Slavia. Mais à frente, atente nas fachadas dos edíficios, especialmente nos andares mais elevados. Se tiver alguma necessidade indesejada, tem ali uma farmácia. Adiante... continue a andar... a cerca de 200 m vai encontrar do seu lado direito uma discreta entrada para o Café Louvre, que ocupa o primeiro andar do prédio. Não perca! Se não tiver ainda fome, vá para o chocolate quente mas sobretudo não perca os gelados! Os melhores que já experimentei. E sabe que mais? Acho que por hoje estamos falados. Se lhe sobrar tempo, é muito provável que esteja exausto. Tem uma série de agradáveis bares e cafés onde o deixei, caso o Louvre não lhe interesse. Estará em Narodni Trida, onde passam eléctricos para quase todo o lado e onde existe uma estação de metro da linha amarela. Se está a ficar num apartamento ou precisa de alguma coisa de um supermercado, saia do Louvre e chegue à esquina seguinte. Do outro lado da rua estará um armazém comercial. Na cave encontrará um bem apetrechado supermercado. Só mais uma coisa: se é fumador, sensivelmente em frente ao Café Louvre, do outro lado da rua, existe uma excelente tabacaria, com todo o tipo de acessórios.... dê uma vista de olhos.

passar para o dia seguinte, o segundo...

 

12 de Outubro de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© Ricardo Ribeiro
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