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Dia 2 em Praga

Vamos seguir o mesmo princípio de ontem: a primeira coisa a fazer é ir a um dos locais usualmente com maior presença de turistas para aproveitar a calmaria matinal. Se ontem atravessámos a ponte Karlovo e visitámos o Castelo de Praga aos primeiros raios de Sol, hoje vamos às duas praças centrais, a da Cidade Antiga e a da Cidade Nova, começando por esta última. Faça-se transportar para Muzeum (o que provavelmente acontecerá através das linhas verde ou vermelha de metro). Estará na imponente praça Venceslau, na realidade mais uma alameda. O imponente edíficio do Museu Nacional ergue-se sobre esta amplo espaço, logo secundado do famoso "cavalo", uma estátua equestre que é utilizada diariamente como ponto de encontro para centenas ou mesmo milhares de praguenses. Diz a tradição que uma relação que se inicie com um primeiro encontro junto à cauda do "cavalo" terá bom futuro. Por isso, por aqui, quando um rapaz convida uma rapariga (ou vice-versa) para se encontrarem nesse ponto, há desde logo uma declaração silenciosa. Foi nesta praça que em 1968 a população de Praga se sublevou contra a intervenção militar soviética, e foi também aqui que o Comunismo caiu, em 1989, quando o povo desceu de novo à rua. Em 1969 Jan Palach, um jovem universitário, imolou-se pelo fogo, junto ao Museu Nacional, como forma de protesto pela perda de soberania efectiva da então Checoslováquia. O local onde caiu inanimado encontra-se marcado por um signicativo sinal, e as coroas de flores ainda hoje são ali renovadas diariamente.

A praça Venceslau é o centro da Praga moderna. Diariamente é invadida por uma multidão de checos em trânsito. Quando a noite cai, o cenário é menos agradável. Por ali anda uma fauna estranha, nada recomendável. Mas caminhemos pela praça abaixo, até ao fim. Para os que acham a FNAC o máximo em termos de livros, notem as livrarias existentes nesta alameda; a maior, tem quatro andares, cada um deles com a extensão equivalente à da maior livraria portuguesa. Em Praga vivem apenas 1,5 milhões de pessoas, mas os checos são notórios leitores e consumidores de cultura.

Chegando ao fim da praça, cruze a Na Prikope e vá andando até ver do seu lado direito o pictoresco mercado de rua de Havélska. Visite-o se desejar, e depois continue a andar até desembocar na praça central da Cidade Antiga. É um local que transpira história. Os belos edíficios, as majestosas igrejas, a estátua do reformista Jan Huss, o relógio astronómico... e tudo isto directamente na praça. Porque a exploração aleatórias das pequenas ruas envolventes revelará um sem número de deliciosos detalhes, becos misteriosos, casas pictorescas. Digo-lhe desde já que não pode despedir-se de Praga sem voltar aqui à noite. Aliás, considero uma experiência mais intensa a visita nocturna ao local. A iluminação é excelente, e o ambiente é algo que tem que experimentar. Contado não dá.

Terminada a exploração da área adjacente, retorne à praça central e parta pela avenida Parizska, uma artéria luxuosa, onde as lojas mais chiques mantêm as respectivas representações. Pouco antes de chegar ao rio, vire à esquerda na 17. Listopadu. Tem ai uma paragem de eléctrico, onde deverá apanhar o 17. Quatro paragens depois estará em Výstaviště. Não se preocupe. As paragens são anunciadas oralmente e através de um painel luminoso bem visivel. O nome da paragem significa "Parque de Exposições", e é isso que verá logo ali: o complexo erigido para a monumental Exposição Universal de Praga de 1891. Deverá contorná-lo pela esquerda e internar-se no Parque Stromovka. Por esta altura está a salvo da onda de turistas. Aqui, só verá checos. Pares de namorados, garbosas avós com os respectivos netos, desportistas... todos usam este agradável espaço, de dimensões tão generosas. A ideia é atravessá-lo numa diagonal, em direcção a noroeste, de forma a encontrar o acesso a Troja. Deverá atravessar duas pequenas pontes pedestres, e deixar para trás a ilha Cisarsky, que se encontra bem no meio do Vltava.

Verá imediatamente o palácio de Troja, sede de várias exposições e de pólos museulógicos. Uma visita ao interior fica ao seu critério, mas os jardins podem ser visitados com facilidade. Mesmo ao seu lado, tem o Zoo de Praga. Talvez não considere uma prioridade visitar um jardim zoológico quando vai a uma cidade estrangeira. Mas este é muito bom, tendo sido considerado o sétimo melhor do mundo (em 2008) pela prestigiada revista Forbes. Se a bicharada não lhe interessa de sobremaneira mas até estava capaz de espairecer um pouco num jardim, tem mais à frente o Jardim Botânico, cuja estufa temática, a Fata Morgana, recomendo vivamente, assim como a sua secção japonesa. O ingresso, quer seja no Zoo, quer seja no Jardim Botânico é apenas de cerca de 6 Eur. Se tiver fome pode usar o restaurante localizado à entrada do Zoo.

Para regressar deverá dotar-se antecipidamente do bilhete de transportes públicos. Mesmo à entrada do Jardim Zoológico, apanhe o autocarro 131 e faça-se transportar durante umas poucas paragens até chegar à de Trojská. Saia e ande no sentido da marcha do autocarro até chegar à esquina. Logo ali à sua vista tem a paragem de eléctrico onde o 17 o trará de regresso ao centro.

Saia em Narodni Divadlo. Estivémos aqui ontem. Se não teve oportunidade de dar o passeio de barco a remos na véspera, não conhece a ilha Slovansky, o que é imperdoável. Trata-se da pequena ilha mesmo em frente ao majestoso Teatro Nacional. Depois de uma breve volta pela ilha, quero-vos mostrar um dos meus poucos favoritos. Botel Matylda. O belo barco, ou restaurante flutuante, é o local ideal para uma refeição romântica com a vista do cair da noite, as luzes do castelo que se acendem lá longe... ou o abrigo de uma tarde invernosa, acolhedor, perfeito para ler um pouco enquanto a neve cai lá fora, sobre as águas escuras do Vltava. Do barco, verá o bizarro edíficio a que chamaram Casa Dançante. Pessoalmente não lhe acho grande piada, mas não há dúvida que é uma imagem única de Praga, e já que está ali à mão, porque não ir até lá ver um pouco mais de perto e tirar umas fotos?

Creio que por esta altura o dia estará a acabar. Quer seja porque a noite se abate sobre a cidade, quer seja porque o cansaço se encontra prestes a vencer a curiosidade. Diria que por hoje chega. Onde o deixo, junto à Casa Dançante, poderá caminhar junto ao rio até à ponte Karlovo, apanhar o eléctrico 17 ou subir a avenida larga que sobe, e chegando à praça Karlovo, não muito longe, terá a estação de metro da linha amarela Karlovo Namesti.

passar para o dia seguinte, o terceiro... ou rever o primeiro dia

12 de Outubro de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© Ricardo Ribeiro
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