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Visitar Praga > Comes & Bebes > Dnister
Como os meus leitores mais assíduos talvez se tenham apercebido, a comida checa não é um dos meus motivos de sonho. Mas comer em Praga, sim. Porquê? Porque nesta cidade é possível encontrar restaurantes representativos de uma infinidade de cozinhas, algumas delas bem exóticas para o paladar ocidental. É o caso do Dnister, um pedaçinho da Ucrânia escondido numa cave de Praga. Antes de mais, fique avisado: não espere um ambiente requintado, com decoração primorosa e mobiliário elaborado. A sala de refeições é, bem pelo contrário, um espaço simples, básico, grosseiro. Chão de cerâmica barato, mesas de fórmica baratas, cadeiras elementares. As paredes estão nuas, e uns arranjos pirosos são colocados aqui e acolá. Mas este cenário é uma peça do puzzle que torna este local encantador, e a palavra-chave para compreender o seu charme é "autenticidade". Pois não disse anteriormente que o local é um cantinho da Ucrânia? E o que espera o leitor encontrar num qualquer restaurante local naquele país do Leste Europeu? Na realidade, o testemunho dos meus amigos ucranianos é unânime: "é mesmo como lá na Ucrânia"... "parece que estamos numa festa de casamento lá da terra"... "o vodka é tal e qual como lá". Se o tema lhe interessa e pensa visitar o Dnister, aconselho um jantar ao Sábado. Pode marcar uma mesa, para jogar pelo seguro, apesar de ter dúvidas que o pessoal fale inglês suficiente para tal processo. Quanto à comida, não se assuste: existem menús em inglês. Não farei sugestões para o prato principal, mas não perca uma terrina de "borsch", que consiste numa sopa à base de beterrada, com batata, cebola e outros vegetais, e que é muito popular em diversos países do Leste Europeu (mas não da gastronomia checa). Se sugeri o jantar de Sábado para uma visita, não foi por acaso: se tiver sorte, terá direito a música ao vivo. Atenção! Não estou a falar de folclore barato para turista ver. Aliás, é pouco provável que veja mais estrangeiros no restaurante, e isso aplica-se mesmo aos checos. O público é característico: emigrantes ucranianos que ali se reunem, em busca de um cheirinho da pátria e de conterrâneos para dois dedos de conversa. Mas, voltando à música, se não se trata de folclore barato, não anda longe: é música pimba, da mais pimba que se arranja na Ucrânia, mas mais uma vez é este toque de algo genuíno que a torna preciosa. Com o avançar do serão e respectivo consumo de vodka, as gentes animam-se, e começa a dança. Um jantar simples pode tornar-se num bailarico, formado espontaneamente, como uma réplica perfeita do que se passa lá longe, na Ucrânia, a cada Sábado. Em suma, um jantar no Dnister pode facilmente resultar numa experiência inesquecivel. Senão, ficará sempre a refeição, barata, muito barata, cheia de sabores que não encontrará com facilidade na sua cidade.
11 de Dezembro de 2009
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© Ricardo Ribeiro