I lived through the 21st August 1968. We lived at Vinohrady, not far from the radio station. If I close my eyes, I still could hear the voice assuring us that they will not give up their post as this is where they could inform us about the situation. It was more or less symbolic, the last bastion of the country still in Czech hands. So, people went to help taking down the street signs to confuse the ‘guests’. We, the Prague’s born and bred, did not need the signs. We know every street by heart. When the tanks finally arrived and blocked the street in front of the RADIO station, it wasn’t pretty. My 14 year old sister had a shock when a balcony fell in front of her, shot down by one of the tanks. We did not ask the Warsaw Pact troops to come and help us. Help us against whom? Us? It was us, the Czechs and Slovaks who wanted freedom of speech and lifting of that Iron Curtain. We wanted to travel and see the world with our own eyes. We wanted to have a say about our own affairs. We had the Russian tanks, dead and wounded people, and another 21 years of Russian oppression instead. The Wednesday 21st August 1968 was one of the dark days in Czech’s history.

Um testemunho assinado por “Vera”, in
http://www.prague-life.com/prague/prague-spring

Em 1968 a Guerra Fria estava no seu auge. Os EUA envolviam-se no Vietname e um pouco por todo o mundo, os dois gigantes globais envolviam-se em duelos indirectos. Entretanto, na Europa, multidões saiam às ruas de Paris insurgindo-se contra o estado estabelecido no país. Mas a Primavera de Paris teve uma irmã, menos famosa: a Primavera de Praga.

Dia 5 de Janeiro de 1968. Alexander Dubcek assume a liderança do Partido Comunista, e, portanto, da Checoslováquia. Inicia-se um processo de liberalização, em direcção aquilo que se chamou de “socialismo democrático”. É aliviada a censura sobre a imprensa e são libertados presos políticos. Estão dados os primeiros passos para a gloriosa Primavera de Praga, que empolgará o país durante sete meses.

Em Abril Dubcek alarga as medidas de liberalização, ameaçando o controle do país por parte de Moscovo. Nos jornais, começam a surgir artigos de opinião atacando a URSS, algo inédito em países do Pacto de Varsóvia.

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Perante estes desenvolvimentos, não é de estranhar que o Politburo de Moscovo sentisse uma apreensão crescente. Tal como sucedera 12 anos antes, em Budapeste, receia-se que uma liberalização excessiva lançe faíscas de revolta em direcção aos restantes países do Bloco de Leste, tornando o controle da situação impossível. Há mesmo receios que algumas das suas próprias repúblicas, como a Ucrânia, Lituânia, Estónia ou Letónia sigam a onda de contestação, destabilizando o gigante soviético.

.As dimensões do desastre anunciado precipitaram a decisão de invadir a Checoslováquia. No dia 21 de Agosto iniciou-se o ataque. Cerca de 500.000 militares de diversos países do Pacto de Varsóvia (na realidade, apenas a Roménia se recusou a alinhar na invasão, que Ceausescu criticou abertamente) entraram na Checoslováquia, controlando de imediato a situação. Tal como sucedera em 1956 na Hungria, os EUA manifestaram-se ruidosamente contra a acção, mas não foram mais além do que dos protestos diplomáticos.

Os dias que se seguem são de intenso frenesim. O aeroporto militar de Kbely, na periferia de Praga, é o centro de uma ponte aérea organizada pelos soviéticos para reforçar o controlo do país. Dia e noite, incesantemente, pesados Antonov transportam homens, viaturas, abastecimentos. Nas ruas de Praga, a presença dos ameaçadores tanques estrangeiros é confrontada por multidões enfurecidas, frustradas pela força descomunal que ameaça asfixiar a euforia de liberdade que se tinha instalado no seu país.

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Nos dias que se seguiram à invasão, uma questão foi debatida vezes sem contas por um número incalculável de checoslovacos: sair do país ou ficar? As fronteiras, abertas algum tempo antes à luz do espírito da Primavera de Praga, ficaram ainda algum tempo acessíveis e muitos optaram por fugir do anunciado jugo soviético. Nos primeiros dias 70.000 retiraram para o “mundo ocidental”, num total de 300.000 checoslovacos que optaram por recomeçar uma nova vida algures na sequência da invasão.

No país, as forças invasoras causaram as primeiras vítimas. Quando tudo terminou contavam-se 72 vítimas mortais e cerca de 700 feridos. Um número reduzido, sobretudo quando comparado com a violência que pautou a intervenção de 1956 na Hungria. Mas aí, a resistência à projecção de força soviética foi substancial, com uma parte considerável do exército nacional a opôr-se activamente aos invasores. Na Checoslováquia, pelo contrário, não houve resistência armada, nem por parte de unidades das Forças Armadas nem por parte da população. A reacção existiu contudo: centenas de milhares sairam às ruas, tentando comunicar com os militares estrangeiros, implorando, garantindo. Que queriam apenas ser senhores de si próprios, que, ao contrário do que lhes tinha sido transmitido pelos seus oficiais, não estavam ali para derrotar uma intentona orquestrada pelos “imperialistas ocidentais” mas para esmagar um povo irmão. Por todo o país as populações retiraram os sinais de trânsito indicando direcções, excepto aqueles que apontavam para Moscovo. Outros, foram pintados com o nome “Dubceck” ou “Svoboda” (o Presidente da Checoslováquia). Nas cidades, as raparigas descobriram que uma excelente forma de destabilizar o invasor era passearem-se em esplêndidas mini-saias, uma forma de luta que foi amplamente utilizada. Os jovens militares russos, na flor da idade e nada habituados aquelas coisas, deixavam-se corroer pela frustração do desejo.

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Se mais nada trouxe, a expressiva resistência passiva terá pelo menos prolongado a vida política de Alexander Dubcek. Nos primeiros momentos da invasão, o líder do Partido e outras destacadas figuras do seu governo são detidas por pára-quedistas soviéticos. Mas perante o enorme apoio demonstrado pela população nas ruas, os soviéticos recuaram na sua decisão de colocar Dubcek sob prisão. O líder checoslovaco viria a ser afastado alguns meses depois, em Janeiro de 1969, na sequência de graves incidentes após a vitória da selecção de hóquei no gelo sobre a sua rival da URSS (Campeonato do Mundo, vitória da Checoslováquia por 4-3, a única derrota da URSS nessa edição, que viria a ganhar).

Talvez o final simbólico da Primavera de 1968 possa ser encontrado no dia 16 de Janeiro de 1969, quando o estudante Jan Palach se imolou pelo fogo, junto ao Museu Nacional, na praça Venceslau, em protesto não só contra a invasão de Agosto mas sobretudo contra a conformação nacional. Foi o último suspiro de um país que se viu arrastado para a esfera soviética de uma forma vigorosa. Até então não existiam tropas soviéticas estacionadas no país, que vieram para ficar. Foi preciso esperar até 1991 para se ver um país sem unidades militares estrangeiras estacionadas no seu solo.

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Mais informação: um excelente testemunho do que foi a euforia vivida durante a Primavera de 1968 e nos dias quentes pós-invasão pode ser recolhido na obra-prima de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, e/ou no filme como o mesmo título, inspirado no livro desse autor.

Informação online:

http://history.state.gov/milestones/1961-1968/soviet-invasion-czechoslavkia

http://www.rferl.org/content/article/1089303.html

http://www.aworldtowin.net/resources/PragueSpring.html

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

1 Comentário

  1. Em Praga 1968, os checos lutavam contra a criminosa ditadura comunista e, os vagabundos em Paris lutavam pelo comunismo! São diferenças enormes.

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