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A chamada “rua mais estreita de Praga” poderá por muitos ser considerada uma falsta artéria, um simples corredor mais do que uma verdadeira rua. Mas a verdade é que encerra um passado histórico mais profundo do que os turistas que casualmente a descobrem podem imaginar: trata-se do último “corredor de fogo” existente em toda a cidade e iremos encontrar as suas raízes no início do século XVI.

O dia 8 de Agosto poderá ter sido especialmente quente. Provavelmente nunca o saberemos, mas a verdade é que quando Praga acordou, não imaginava a catástofore que sobre si desabaria antes que o sol se pusesse. Algures nos bairros orientais deflagrou um incêndio, que consumiu mais de sessenta casas antes de ser controlado. Para o concelho da cidade era evidente que algo tinha que ser feito para evitar a repetição de tal devastação. Assim, foi deciddo que se construiriam vias de acesso, por entre a malha urbana, que conduzissem directamente ao Vltava, e à preciosa água necessária para o combate às chamas.

Hoje em dia este “corredor de fogo” conduz a um restaurante (de seu nome, Certovka), junto ao rio. Sobre o estabelecimento não nos poderemos pronunciar, porque nunca foi experimentado. Uma coisa é certa: tem óptimo aspecto e um ambiente agradável, quer no Inverno, com a sua lareira e sala intimista, quer em dias de clima mais próprio, quando o visitante pode usufruir da esplanada estrategicamente colocada.

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Para regular o trânsito de peões, foram instalados semáforos no topo e no final da viela. Muita gente toma-os por uma graça, mas a verdade é que sem eles o restaurante não poderia operar. As luzes reguladoras de trânsito permitem satisfazer as regras de segurança do munícipio e, de certa forma, garantir a acessibilidade à dita “saída de emergência”. Isto porque a rua é tão estreita que de facto é quase impossível duas pessoas se cruzarem nela: são 50 centímetros, de largura para um comprimento de 14 metros. Os degraus é que são uma novidade: foram colocados apenas em 1991, para permitir uma circulação mais confortável.

A coisa é de tal forma que já estive à beira de um desentedimento com umas jovens turistas que não respeitaram o sinal vermelho, e vieram por ali abaixo, como se aquilo fosse apenas uma piada. Dei-lhes um apertão de que não gostaram, apesar de merecido, e ficaram-me a olhar de soslaio. Noutra ocasião, uma alemã, candidata a cliente, que pretendia tomar a sua refeição no restaurante, ficou literalmente presa entre as paredes. Depois de muito esforço os aflitos funcionários acabaram por resolver o problema untando a zona com sabão.

Portanto fica a dica. Vá, respeite os semáforos, e faça o percurso de 14 metros. Não precisa de ir ao restaurante para dar uma vista de olhos, e de lá de baixo obtêm-se das melhores fotos da ponte antiga.

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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