Cinema à Margem

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Entre tantas outras coisas, Praga ofereceu-me a redescoberta do prazer pelo cinema. Não a mera visualização de filmes, porque essa foi constante. Mas a ida mágica à sala em Portugal tombou há muitos anos, vítima da cultura da pipoca, dos telemóveis e das conversas casuais em plena projecção.

Claro que quem visita Praga terá outras prioridades, mas como me recordo de algumas situações excepcionais (é um maluquinho inveterado por cinema, ou chega numa altura em que o frio não dá tréguas, ou andou tanto nos primeiros dias que já não pode mais e uma sala de cinema vem a calhar para relaxar) decidi deixar aqui este singelo artigo, com umas indicações que poderão ser úteis.

Existem diversos cinemas independentes em Praga, mas incididirei sobretudo no Kino Světozor, pertencente a um grupo que inclui ainda o Aero e o Oko. Mas o primeiro está vocacionado para a audiência não checa, passando produção anglo-saxónica sem legendas, e filmes locais de de outras paragens do mundo com legendas em inglês. Não todos, não em todas as sessões. Mas com uma oferta de pasmar. Todos os dias da semana, são organizadas quatro ou cinco sessões em cada uma das suas duas salas, uma mais pequena e outra maior. Com tudo isto, chegam a haver dias que oferecem uma escolha de mais de 12 filmes, o que é espantoso considerando a existência de apenas duas salas. Os bilhetes oscilam entre as 60 e as 110 Czk, ou seja, uma médiia de cerca de 3 Eur, e podem ser adquiridos previamente com escolha de lugar no website oficial do cinema. Que de resto oferece extensa informação sobre as obras em cartaz, assim como sobre as características de cada projecção (língua original, sala, legendagem).

Por vezes, a programação normal é interrompida por ciclos fantásticos de cinema, variados no tema ou origem. Há o Festival Bollywood, o Festival de Cinema Francês, o Festival de Curtas Metragens, o Festival de Filme Publicitário, o Festival One World… entre outros. O último caso indicado dedica-se ao tema de filme documental incindindo na área dos direitos humanos, e todos os anos nos presenteia com uma cabazada de materiais de elevada qualidade. Fica aqui o website do festival para ter uma ideia.

Para o estrangeiro, a actividades destes cinemas significa também a oportunidade de estreitar o relacionamento com a cultura local. Seja viajante, seja residente, é aqui possível experimentar o muito de bom que todos os anos se produz na Rep. Checa e utilizar esse reflexo de uma sociedade que é o cinema para melhor entender o povo checo e a sua língua.

Dos três cinemas do grupo Europa Cinemas, talvez o Kino Světozor tenha sido o escolhido para oferecer alguma comodidade aos estrangeiros devido à sua localização central. Numa rua perpendicular à famosa praça Venceslau, pode ser acedido facilmente a partir de qualquer ponto da cidade, e não há turista que não passe à sua porta.

De resto o espaço é agradável e funciona bem. O pessoal do cinema é jovem, aberto ao contacto com visitantes, capaz de falar inglês. Comprar bilhete no local é simples, assim como todo o processo de entrada na sala. O bar é simpático, disponibilizando mesmo Internet Wi-Fi gratuita, como de resto é regra em Praga.

Lá dentro, iniciada a projecção, o silêncio cai sobre a sala. Nem o estalar dos pacotes de pipocas, nem o toque de telemóveis, nem conversas durante a sessão. Nada. No máximo dos máximos e em caso extremo, um ligeiro susurrar para o colega do lado. De resto, é o regresso aos tempos áureos do cinema, quando se podia apreciar Sétima Arte sem interrupções e sobretudo com muito respeito mútuo. Portanto, se gosta de cinema, bem vindo a Praga! Divirta-se!

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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