Já não sei de onde vinha ou para onde ia, mas estava a passar ali, em IP Pavlova, um local de cruzamento tantas e tantas vezes atravessado. Também não sei porquê, mas os meus olhos fixaram-se neste estabelecimento, que se calhar já estava ali da última vez que andei por aquelas paragens. “- Olá, o que é isto”, pensei eu.

cb-paul-ippavlova-01Entrei e gostei logo do que vi, ignorando que o melhor ainda estava para vir. As montras exibem iguarias, com preços marcados de forma clara. Numa, os doces, com diversas filas de bolos de aspecto chamativo. Não são baratos, como de resto a pastelaria não o é num país onde não existe a tradição de ir ao café e comer um bolinho. A peça custa uma média de 1,50 Eur. Ao lado, os salgados. E que belas sandes ali estão, ao dispôr do faminto cliente. E aqui entra uma nota de esclarecimento: Paul é um franchising – não sei se Europeu se meramente checo – de padarias francesas. É comum encontrar um Paul num átrio de um centro comercial, mas nunca vi um estabelecimento como este em IP Pavlova. Ora como padaria francesa que é as baguettes são mesmo a especialidade da casa.

E portanto, dizia eu, aquelas sandes são um espectáculo de cor. Os preços, comparativamente, são mais agradáveis, com preços a rondar os 3,50 Eur. Ao lado, os croissants, todos alinhadinhos, com recheios diversos, a acentuar o carácter francês da coisa.

No topo do balcâo, a fazer-me lembrar as velhas charcutarias de Lisboa, mais uns petiscos, distribuidos por pratos, de forma irregular, a encher a vista. Atrás dos expositores um par de jovens checas atarefa-se a aviar as encomendas, também elas de encher o olho – as minhas desculpas pelo sexismo.

cb-paul-ippavlova-04E pronto, isto é o que o cliente vê à primeira vista. Muitos, entrarão, comprarão qualquer coisa para comer e sairão sem se aperceber do que se passa mais para o interior da loja. Mas eu reparei nas escadas e estava decidido a não perder pitada.

Lá em cima, um par de salas espantosas. De repente entramos num outro mundo, numa França clássica, que nos deixa de queixo caido enquanto Edith Piaf nos segreda aos ouvidos as estrofes de uma qualquer das suas canções. O conceito alia o requinte de um café clássico com os aspectos prácticos de um fast food. Os clientes que ali desejem tomar a sua refeição deverão transportar os bens adquiridos lá em baixo num tabuleiro, e para o depositar, findo o respasto, lá está, como em qualquer McDonalds, o móvel de prateleiras à medida dos tabuleiros, discreto, a um canto.

Os candeeiros, acesos, para compensar o lusco-fusco criado pelo cerramento das cortinas da sala, têm lampadas de luz amarelada, quiçá um toque a transportar o imaginário dos clientes para aquela época dourada em que estas salas se iluminavam a velas. Existe até uma pequena lareira, que me atrevo a pensar poderá ser acesa nos dias frios de Inverno.

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A mobília é apropriada, aliando o funcionalismo que não pode ser dispensado num conceito assim com o classicismo do ambiente que se pretende recriar. E funciona. Nas paredes há mesmo réplicas de pinturas para ajudar “à festa”. É maravilhoso como de um modelo baseado no feio fast food se transitou para um ambiente agradável, que parece cortar as amarras com a frieza desnudada das salas das hamburgarias por esse mundo fora.

Chegar aqui é simples, até porque IP Pavlova é um hub citadino, onde dezenas de milhares de pessoas transitam de umas linhas de metro para as outras, de umas carreiras de eléctricos para as outras. Mas não imagine o leitor um cenário dantesco urbano com passagens aéreas, corredores sem fim num labirinto sem salvação. Não. É tudo à moda antiga. Se quer passar da linha verde para a linha vermelha, terá que subir a avenida e andar 300 metros até chegar à outra estação. Dito isto, poderá chegar ao Paul através da linha vermelha de metro, que é a opção mais conveniente, mas também existe uma boa série de eléctricos a parar mesmo à porta, por exemplo, o turístico 22.

Por fim, queria dizer que baralhado sobre como classificar este local, acabei por me decidir por “Cafés”, mas podia ser um restaurante, apesar de se auto-classificar como padaria.

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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