A Cripta dos Paraquedistas

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“O tiroteio terminou apenas quando as munições dos defensores se esgotaram. Quase todos os checoslovacos se suicidaram, pela ingestão de veneno e pela utilização da última bala.”

A História por Detrás

Foi em 1942 que um comando de militares checoslovacos assassinou o administrador nazi do Protectorado da Boémia e Morávia, nome atribuído à região que hoje quase coincide com a República Checa pelos alemães que ocuparam o país em 1938. De resto, já existe aqui no Visitar Praga um artigo sobre os dramáticos eventos desse dia, em Os Dias que Abalaram Praga: O Assassínio de Heydrich.

Mas o artigo de hoje é sobre o local onde pereceram os militares que desencadearam a acção, acompanhados por cinco outros camaradas. Trata-se da cripta da Igreja de São Cirilo e de São Methodius, assim denominada em honra dos dois religiosos que criaram o alfabeto cirílico.

Foi neste templo Ortodoxo que se esconderam os para-quedistas envolvidos na operação, assim como alguns outros que, por razões diversas, se encontravam clandestinamente no território.

Não se sabe o que teria acontecido se o traidor Karel Čurda não se tivesse entregado às autoridades alemãs e revelado a localização do esconderijo. Na posse dessa informação os ocupantes desencadearam uma operação contra a igreja. Primeiro procuraram nos locais mais óbvios e por fim, acabaram por avistar os homens do comando, que se encontravam no topo das escadas que davam acesso à cripta.

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Iniciou-se uma batalha que demorou cerca de oito horas. Os homens encurralados refugiaram-se na cripta, bloqueando a entrada. Os atacantes tentaram desalojá-los recorrendo ao corpo de bombeiros, que introduziram mangueiras na pequena fresta onde ainda hoje se podem ver as marcas dos projécteis numa tentativa de forçar os resistentes a sair do abrigo.

O tiroteio terminou apenas quando as munições dos defensores se esgotaram. Quase todos os checoslovacos se suicidaram, pela ingestão de veneno e pela utilização da última bala.

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O Espaço da Cripta

O espaço onde os dramáticos acontecimentos tiveram lugar é hoje um pequeno museu. A entrada dá-se por uma pequena porta sob o acesso principal da igreja, a que se chega depois de se passar pela placa evocativa da batalha. Um memorial colocado sobre a fresta, quase ao nível do solo, de onde os defensores dispararam sobre os alemães que os cercavam.

Numa primeira sala encontra-se uma exposição com objectos, imagens e documentos alusivos não só à operação Antropóide (o assassinado de Heydrich) mas também ao período de ocupação nazi.

Dali, através de uma porta muito especial, passa-se à cripta propriamente dita. É um espaço bem preparado, sombrio, que transmite uma atmosfera adequada. Ao fundo avistam-se os degraus usados naquele fatídico dia. Primeiro pelos para-quedistas, para se refugiarem nas profundezas do subterrâneo. E depois, quando tudo terminou, pelas botas cardadas dos alemães, que finalmente logravam invadir o espaço.

cripta-05Cada um dos sete mortos checoslovacos tem ali um busto comemorativo, em tamanho real, feito de bronze, adornado por uma flor encarnada. Existem alguns elementos evocativos, poucos, para preservar o ambiente original da cripta. Um pequeno painel descreve os homens que ali perderam a vida e apresenta uma fotografia de cada um deles.

Depois ganha-se uma nova perspectiva sobre a localização da abertura para a rua e como teria sido difícil aos homens encurralados defenderem-se do ataque por ali.

Resumindo, para quem tem interesse em História, especialmente em História Militar, este é um espaço a não perder. A atmosfera é intensa e, de qualquer modo, o custo do bilhete (ver abaixo) é reduzido.

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Horário: Entre Março a Outubro, encerra à Segunda-feira e está aberto das 9 às 17 horas. Entre Novembro a Fevereiro encerra também aos Domingos.

Bilhete: 150 CZK

Website Oficial: www.pamatnik-heydrichiady.cz

Como Chegar: Antes de mais, para chegar a Praga o melhor será procurar os voos mais económicos através da Rumbo. Depois, encontrar a Cripta é fácil. Encontra-se a uma distância facilmente caminhável a partir do centro, muito próximo do metro de Karlovo Namesti e da famosa Casa Dançante. Mas o melhor é ver o mapa em baixo.

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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