Na Hradbách

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Este não será nem o mais popular nem o mais famoso beer garden de Praga, mas é o meu favorito. Nele encontro a melhor combinação de fatores positivos, sendo que a localização, não se tratando de algo verdadeiramente fora-de-mão, é um pouco remota para quem anda pelo centro histórico. O que é irónico, porque na realidade Na Hradbách se encontra no epicentro histórico da cidade e da nação checa.

Vysehrad é hoje um bairro, mas antes foi nome do castelo original, do que foi construido antes de mais nada, mesmo antes do atual castelo da cidade. Empossado assim como semente da cidade e da nação que nasceriam, ganhou importância no século XIX, na era dos nacionalismos, que não passaram ao lado dos checos.

Atualmente, para além do tal bairro, servido por uma estação de metro da linha vermelha com o mesmo nome, encontra-se aqui a fortaleza, mais ampla e mais recente, na área da qual encontramos uma série de pontos de interesse. Os outros ficam para outros artigos. Para já interessa-nos este beer garden, que vamos encontrar junto à muito antiga rotunda de São Martinho, no centro da fortaleza.

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É agora altura de enunciar os pontos que fazem de Na Hradbách o meu beer garden de eleição: apesar da localização ser algo afastada, chegar até aqui é sempre um passeio agradável, desde que o tempo esteja de feição e, assim como assim, se não o estiver é porque também não é dia para beer gardens;  há o ambiente quase místico de Vysehrad, uma espécie de terreno sagrado dos checos, que gosto de visitar de tempos a tempos; agrada-me a quase ausência de estrangeiros por estas paragens; ao contrário do que sucede na maioria dos beer gardens de Praga, aqui a cerveja é bem tratada, ou seja, servida em copo de vidro; para acompanhar a cerveja, ou vice-versa, há sempre uma boa oferta de grelhados a preços muito agradáveis, como de resto o é o da bebida; o espaço é amplo, com mesas junto à muralha, com baloiços para os pequenotes, e mais mesas no centro do terreno, e muito espaço para sentar no chão; e depois há a vista deslumbrante, o que não será de espantar se nos lembrarmos que estamos numa fortaleza que sucedeu a um castelo da alta Idade Média.

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Como em todos os beer gardens a melhor altura para vir até ao Na Hradbách é numa tarde de fim-de-semana, de preferência num bonito dia de Primavera. Convém não vir cedo de mais porque os horários deste local são muito liberais e pode bater com o nariz na porta. Por outro lado, se tudo correr bem, encontrará na atmosfera que ali se vive a recompensa pela viagem até Vysehrad.

O que mais aprecio aqui é a informalidade que se respira. Toda a gente está descontraída, comendo e bebendo, em pequenos ou grandes grupos. As crianças brincam à vontade. Cães amistosos correm por ali. A alguns apetece-lhes apenas estenderem-se na relva. Há pessoas que lêem enquanto bebericam a sua cerveja.

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O aroma dos assados invade o espaço e abre apetites. Se for preciso mais uma cerveja, é caminhar até ao pub convencional que funciona ali, com um par de salas e umas quantas mesas, e pedir a seguinte. Há até mais que uma marca à escolha, o que não é vulgar neste tipo de sítios. Existem também casas de banho, para dar a devida circulação ao fluir dos líquidos.

Da beira da muralha vê-se quase todo o bairro de Vysehrad e boa parte do de Nusle e mais para diante. A dificuldade é decidir que lugar escolher. Depois, é usufruir do momento. Para quem está de passagem é altamente recomendado, como um instantâneo da alma e do estilo de vida genuinamente checos, tão arredados que andam dos locais turísticos a que maioritariamente os visitantes se confinam de livre-vontade.

Como Ir: Está mesmo no centro da fortaleza de Vysehrad, a que se chega quer vindo-se do metro, da estação com o mesmo nome da linha vermelha, ou a pé desde o centro, caminhando junto ao rio até Vyton e depois de passar por debaixo da ponte de caminhos de ferro, subindo um pouco para o interior. Mas será melhor ver o mapa.

Quanto Custa: Bem económico!

Quando Ir: O ideal é ir num dia de sol… de fim-de-semana, de preferência. Sempre depois do almoço, porque o horário é liberal e pode estar encerrado se for demasiado cedo.

 

 

Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

6 Comentários

  1. Oi Ricardo, adoro esse seu olhar especialmente apaixonado por Praga. Eu não gostei das cervejas checas por achar que elas são amargas e fortes demais. Aqui no Brasil nossas cervejas são mais suaves e leves…E daí o estranhamente no paladar. Adorei Praga também e ela vai ficar na minha memória como um dos lugares mais romanticos e lindos. Acho que na primavera, Praga deve ser ainda mais fascinante. rs Umsuper abraço .

    • Ah Lucia então… se são fortes e amargas é porque só experimentou as fortes e as amargas. Aposto que lhe deram Plzen, que para além de forte e amarga também é cara… e que tal uma cerveja de uma pequena fábrica, com mistura de cerveja clara e escura e ainda de cereja? Nem é forte e de certo não é amarga 🙂

  2. Boa tarde Ricardo. Obrigada pelo tempo que disponibilizou para nos dar um “cheirinho” muito bom do que poderá ser uma visita a Praga. Gostaria de lhe perguntar sobre a segurança na cidade uma vez que tenho lido algumas não muito agradáveis,sobretudo pela noite. Uma dúvida que me ficou é sobre o bilhete de autocarro (119) que vem do aeroporto. É válido também para o metro?

    • Olá Marisa… existem dois artigos no website que respondem às suas duas perguntas 🙂 Só uma coisa… com a extensão da rede do metro, desde este mês, o 119 deixa agora os passageiros numa nova estação de metro da mesma linha, mais próxima do aeroporto.

  3. Boa noite Ricardo e desde já obrigado pelas dicas que dá a quem vai até Praga.
    As cervejas checas são famosas mas dê-me a sua opinião: quais são aquelas verdadeiramente imperdíveis?

    Obrigado e um abraço

    Rodrigo

    • Oi Rodrigo… os gostos não se discutem e isso deve-se aplicar à cerveja. A mais apreciada globalmente é a Plzner, que eu não gosto, por ser demasiado amarga. Prefiro cervejas mais leves, que se bebam como um refresco. Não vou citar marcas, mas de entre o mainstream – mais fácil de encontrar – a Kozel está muito forte, e então a Kozel preta é mesmo a única cerveja preta que gosto. Para algo mesmo interessante é ir a um dos locais indicados neste website e experimentar as cervejas do dia, em bares onde se encontram pequenos fabricantes em mostra.

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