Nestes últimos dias, vá, nesta última semana, tenho andado atarefado. É época de Festival One World, sempre por esta altura do ano, sempre oito dias a abrir de cinema documental. A coisa já dura há uma série de anos, e a cada edição as audiências atingem números record. Desta feita a mostra de filmes, geralmente dedicados a temas sociais e de direitos humanos, decorreu em nove salas, e exibiu 101 películas, escolhidas de um lote de 1600 trabalhos analisados no decorrer dos trabalhos de selecção.

Logo no segundo dia fui ao centro do festival, instalado no Café Lucerna, adquirir o meu cartão de acreditação. Com este passe, pode o espectador assistir a até 3 filmes por dia (4 durante o fim-de-semana) em quatro das salas, o que é perfeitamente suficiente, considerando o sistema de rotação de filmes e o número diário de escolhas. E por isto, paga-se a quantia de 13 Eur, que, considerando o valor individual dos bilhetes – cerca de 2,60 Eur, fica pago muito rapidamente.

Depois é a loucura. Dia após dia, solicitar os ingressos gratuitos, assistir aos filmes… passar de um cinema para o outro, uma e outra vez. Disfrutar na escuridão da sala dos trabalhos magníficos que vão sendo apresentados. E olhar em redor e ver com prazer o sucesso que esta bela iniciativa tem. Por todo o lado se vê gente atarefada, a entrar, a sair, na fila da bilheteira, dentro das salas, nos cafés envolventes. É um frenesim que dura uma semana, e que assim que se termina, deixa desde logo a vontade para que chegue Março de novo, para se ver o que a edição seguinte trará.

Dada a natureza do tema base do festival, o programa reflecte a realidade que nos rodeia a cada edição, por vezes com um ou dois anos de desconto. Em 2010 viu-se muita coisa sobre a situação no Irão, no Afeganistão, na Rússia. Mas também filmes interessantes sobre o Zimbabwe, sobre o Quénia, sobre a Coreia do Norte. E sobre tantos outros locais, cada qual com os seus problemas, os seus dramas. A abrir a minha participação, vi God Bless Iceland, um documentário sobre o impacto da falência do Estado islandês na população. Um testemunho impressionante, com perspectivas muito frescas a deixar desde logo uma nota positiva e a abrir o apetite para o manjar que se seguiria.

Muitas das salas de cinema onde decorre o Festival são por si um espectáculo. O cinema Lucerna, em cujo majestoso café se encontra instalado o quartel-general da organização é uma das incontáveis maravilhas de Praga: um cinema clássico, aberto em 1909, mantém-se até hoje num brio à prova de qualquer crítica, como pode ver aqui. Já a sala da Biblioteca Municipal de Praga se torna original, com o seu estilo austero, cadeiras de madeira, dotadas de uma pequena mesa para apontamentos ou o que quer que o espectador deseje.

O website do Festival, é por si um símbolo da qualidade presente. As funcionalidades, a capacidade comunicacional, a clareza e disponibilidade de informação, tudo isto se encontra ao nível mais elevado, cumprindo em pleno a missão que se espera de um espaço desta natureza. Para uma ideia mais detalhada dos filmes exibidos, convido o leitor a visitar então o website em questão.

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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