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Fui conhecer o Akord numa noite tristonha. Talvez por causa do frio, normal para a época, mas mesmo assim incomodativo, ou por ser uma 2ª feira, o clube estava deserto à  hora de início do concerto. Ficámos, ouvimos uns temas, desempenhados com inusitado entusiasmo, e a casa foi-se compondo. Pelas 23 horas, quando tivémos que sair para assumir um outro compromisso, já não havia mesas vagas. Mas mesmo assim a atmosfera deixou sempre muito a desejar. Precisava-se de mais juventude numa audiência, quase totalmente composta por pessoas na casa dos 50, com aspecto de turistas tristes, provavelmente alojados nos hotéis de renome que se encontram nas imediações.

Talvez noutras noites a animação reine por ali, mas desta vez, só mesmo a banda fez a festa. E de que maneira! Os HH Blues capricharam, oferecendo um espectáculo de qualidade, cheio de surpresas, com um reportório variado, que incluiu a participação surpresa de Petr Hejna, o proprietáro, que, descalço, saltou para o palco. Com a sua guitarra eléctrica, brindou a audiência com uma nota diferente animando ainda mais a actuação da banda.

Esta figura é aliás incontornável em tudo o que diz respeito ao Akord Jazz Club. A sua carolice tornou possível a abertura do estabelecimento e mantém-no a rolar apesar das dificuldades que se adivinham, comuns a este tipo de iniciativas. A equipa não podia ter sido melhor escolhida: Jana, Petr e Lucie. A família. Tão simples como isso.

O preço do ingresso pode ser consideravelmente reduzido se a pessoa decidir aderir ao clube. Logo na primeira visita pode desembolsar as 100 Kc da cota anual, e receber um cartão com fotografia, passando a beneficiar desde logo de um desconto de 25% nos bilhetes. Para além disso, ao fim de cada dez visitas, receberá uma entrada gratuita.

Nas paredes da sala principal, espraia-se uma exposição permanente de quadros com algumas particularidades: todos os autores sofrem de algum tipo de deficiência mental, e o clube não obtém nenhuma contrapartida financeira na intermediação das vendas.

A especificidade das instalações, localizadas na cave de um edíficio de escritórios, com um vago centro comercial no pisso térreo, permite longas noites. O barulho não é um problema, e pelo que sei não é raro que a festa se alongue pela noite dentro, por vezes até ao raiar da alvorada. A única desvantagem desta situação é o aspecto pouco apelativo da entrada, com um certo toque decadente, a fazer desconfiar do acesso para dentro de um centro comercial daqueles que já não se usa.

[box type=”shadow” align=”aligncenter” ]Como Ir: O ponto de referência é a Namesti Republiky. Trata-se de um dos centros da cidade, perto da praça antiga, e tem uma estação de metro (linha amarela). O clube encontra-se na rua V Celnici, que sai directamente da referida praça.

Quanto Custa: O ingresso custa 200 kc e as bebidas dependem da sua opção. A cerveja Pilsner de 0,5 l vale 50 kc. Espera-se o pagamento “voluntário” do ingresso ao balcão do bar.

Quando Ir: Das 19:00 às 01:00… na teoria. A música começa às 21:00… também na teoria.

Contactos: Akord Jazz Club V celnici 4, Praga 1 – Telefone +420 774 101 091[/box]

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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