Cafe Slavia

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O Café Slavia encontra-se num restrito grupo de cafés que lutam pela popularidade como o café mais clássico de uma cidade onde quase tudo é “clássico”. Trata-se de uma batalha complicada, onde o Café Louvre, localizado a uns meros duzentos metros, também participa.

A sua grande abertura ocorreu no Verão de 1886. Seria um Agosto igual a tantos outros na cidade que por essa altura fazia parte do Império Austro-húngaro. A sua localização, na esquina da Narodni Trida (avenida Nacional, um nome que naturalmente seria outro por essa altura) com a bela via que transita junto ao rio, prometia desde logo. A inauguração coincidiu com a abertura do Narodni Divadlo (Teatro Nacional) e tal não foi uma coincidência. Pretendia-se oferecer aos frequentadores do teatro um café de qualidade do outro lado da rua.

Nas suas cadeiras sentaram-se durante mais de um século as figuras mais emblemáticas da sociedade, da ciência e da cultura checa. Kafka frequentava-o, assim como, bem mais tarde, o homem que liderou o processo de democratização do país, tendo-se tornado o primeiro presidente da Checoslováquia livre, em 1989: Vaclav Hável. Aliás, o presidente – dramaturgo de profissão – viveu grande parte da sua vida não muito longe, no edifício que se ergue ao lado da famosa Casa Dançante, mas foi especialmente nos anos 60, nos primeiros anos da sua atividade criativa, que frequentou o café.

Atualmente o Café Slavia encontra-se aberto, apesar de um encerramento temporário entre 1992 e 1997, provocado por uma disputa legal. É bastante visitado por locais e turistas e as mesas com vista para o rio são muito procuradas, tornando-se um prémio desejado pelos clientes.

A fachada do café Slavia, vista da avenida Narodni
A fachada do café Slavia, vista da avenida Narodni

O seu interior, em Art Deco, data da Primeira República (1919-1938), e pode albergar até trezentos clientes. As mesas Tonet, são originais, as mesmas que testemunharam episódios marcantes da história checa desde 1920. De resto, as mesas de madeira escura e os mármores verdes das paredes são símbolos de um passado glorioso, dos glamorosos anos 20 do século passado.

Como é regra nos cafés checos, o cliente pode consumir desde uma simples bebida até uma refeição faustosa, destacando-se o bife à Slavia.

Como Ir: Muito central. O metro Narodni Trida encontra-se a duas centenas de metros e a paragem de elétrico Narodni Divadlo é mesmo defronte.

Quanto Custa: Algo caro, em reflexo da fama e da localização no centro turístico. Mas nada que impeça uma visita.

Quando Ir: Uma vez li a sugestão de um cliente habitual: logo à abertura, para sentir o clima da manhã, a partir das 8. As pessoas entram para tomar o café, fumam um cigarro enquanto consultam os jornais da manhã; e depois, ao serão, numa atmosfera completamente relaxada, com as notas do piano que se elevam no ar (das 17 às 23), enchendo a sala com o ambiente muito especial… por essa altura é normal ver clientes todos ataviados, prontos para uma sessão no teatro, tal como se fazia nos finais do século XIX. Aberto das 8 às 24 e durante o fim-de-semana das 9 às 24.

Contactos: Kavarna Slavia, Smetanovo nábřeží 1012/2,  Praha 1 110 00 – Telefone +420 224 218 493 – Website: www.cafeslavia.cz

 

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Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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