Kmotra

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Quando assentei os pés pela primeira vez em Praga levava na agenda uma visita a esta pizzaria, fruto das anotações feitas durante as longas pesquisas online. Depois, o compromisso caiu no esquecimento, e no meio da agitação não se fez tempo para procurar a Kmotra.

Mas o destino tinha algo a dizer: na minha última noite “tropecei” no local e aconteceu: comi a melhor pizza da minha vida. Claro que a arte de comer pizza é algo intimo. Cada um terá a sua fantasia de pizza e a minha encontrei-a aqui.

Desde essa noite, retornei vezes sem conta à Kmotra (que em checo significa “Padrinho”), até porque durante um par de anos vivi ali mesmo, ao virar da esquina. E, tirando um ou outro dia menos feliz, mantenho ainda esta relação de amor.

Quando se chega ao local, pode cair-se na impressão, errada, que o espaço é diminuto. É que as salas a sério se encontram na cave. À superfície, apesar de ser possível tomar uma refeição convencional, o espaço está mais vocacionado para se tomar uma simples bebida. Espreitemos então lá em baixo! Logo que terminamos de descer as escadas avistamos o forno e o mágico que gravita em seu redor. Ideal será encontrar uma mesa ali à beira, porque o homem é um espectáculo. Sozinho, satisfaz as necessidades de um restaurante com mais de cem lugares: prepara a massa, estende-a, cobre-a com os ingredientes, introduz as pizzas no forno, mantém-nas debaixo de olho… e nos intervalos, imagine-se, ainda varre o chão, limpa o interior da fornalha e mantém o seu espaço de trabalho perfeitamente organizado. A foto que pode ver aqui ao lado, é deste grande génio. Existem outros mestres pizzeiros, porque nem mesmo um deus das pizzas pode trabalhar 365 dias por ano, por isso rezem que o homem esteja de serviço quando visitarem a Kmotra.

De resto, se não for possível sentar perto do forno, não fiquem tristes. Conseguir um lugar já será bom, se for às horas convencionais de refeição. Espreite todas as salas… existem mais três ou quatro, e não hesite em pedir o auxílio de uma das funcionárias. O inglês por ali não é fluente mas chega para uma comunicação básica.

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Mas vamos ao que interessa: as pizzas (existem outras opções, claro, mas nunca me passou pela ideia abdicar de uma pizza em favor de massas ou afins, não neste restaurante). A massa é de altura intermédia, saborosa, geralmente cozinhada durante o tempo certo. Mas a cobertura é que me fez render aos encantos da Kmotra. Os ingredientes são colocados de forma generosa, sempre de boa qualidade e em combinações idílicas. E este é mesmo o elemento chave da qualidade da pizza na Kmotra: aqui, não se limitam às tradicionais combinações… “tropical”, “quatro estações”, “peperonni”… etc, etc. Não! Aqui criou-se. Exemplos? Tomem lá uma Špenátová (c. 5 Eur), de espinafres com muito alho e pequenos pedaços de bacon, tudo isto coberto com queijo riccota. Mais? Os apreciadores de queijo podem escolher uma Praha (c. 5 Eur), com queijo edam e quejo brié, azeitonas verdes e tomates frescos. Talvez a minha favorita: Mascarpone (c. 5,50 Eur), com três ou quatro bolas de queijo mascarpone, salame picante e chilis.

O tamanho das pizzas é muito justo, mas também, quando se fala de justeza e pizzas, geralmente significa que são enormes. Ninguém (espero eu) ficará com fome depois de uma pizza aqui. A gula, essa, sobretudo depois de tão bem estimulada, será mais díficil de saciar.

Como Ir: Muito central. O metro Narodni Trida encontra-se a poucas dezenas de metros assim como os eléctricos que param junto à estação. Também acessível a partir da paragem de eléctrico de Narodni Divadlo. Tome a avenida Narodni e vire na Quanto

Custa: Barato! Uns 8 Eur pela refeição completa.

Quando Ir: Abre às 11 e encerra às 24. Aconselha-se ir fora das horas das refeições para se conseguir uma mesa.

Contactos: Kmotra V Jirchářích 12, Praha 1 – Telefone +420 224 934 100 – Website www.kmotra.cz/en

 

Ricardo Ribeiro viveu durante três anos em Praga, apenas pelo amor à cidade e um dia decidiu criar um website dedicado à sua paixão. Actualmente mantém os fortes laços emocionais e sociais com Praga e passa alguns meses por ano por lá.

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